A Igreja Católica ensina que o aborto é sempre um ato gravemente imoral, pois atenta contra a vida inocente. Porém, muitas vezes, é preciso entender melhor em que medida alguém colabora com esse pecado. Para isso, a Igreja distingue entre colaboração formal e colaboração material.
📌 Colaboração formal
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Definição: acontece quando alguém partilha a intenção imoral de quem pratica o aborto.
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Exemplos:
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O médico que realiza o aborto.
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A pessoa que pede ou obriga alguém a abortar.
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Quem aconselha ou incentiva o aborto, desejando que aconteça.
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Posição da Igreja: é sempre pecado grave e nunca pode ser justificada (CIC 2272; Evangelium Vitae 74).
📌 Colaboração material
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Definição: ocorre quando alguém não compartilha da intenção do aborto, mas realiza uma ação que, de algum modo, facilita o ato.
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Exemplos:
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O funcionário de hospital que entrega instrumentos usados no aborto, sem desejar o ato em si.
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Quem presta um serviço indireto, como transporte, sem concordar com a prática.
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Posição da Igreja: pode ser próxima ou remota, dependendo da ligação com o ato:
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Próxima: quando contribui diretamente (ex.: auxiliar de sala).
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Remota: quando a ligação é indireta ou distante (ex.: quem trabalha na limpeza do hospital onde ocorrem abortos).
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Avaliação moral:
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A colaboração material próxima geralmente não é lícita, pois favorece diretamente o ato imoral.
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A colaboração material remota pode ser tolerada em certas circunstâncias, especialmente se houver motivo proporcional grave (como risco de perder o emprego ou não ter outro meio de sustento), mas deve ser evitada quando possível.
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✅ Resumo:
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Colaboração formal → sempre pecado grave, nunca permitida.
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Colaboração material → precisa ser avaliada: próxima (quase sempre ilícita) ou remota (pode ser tolerada em alguns casos).