📖 UNA CARO – Elogio à Monogamia e o Valor do Matrimônio Cristão

Nota doutrinal sobre o matrimônio como união exclusiva e pertença recíproca, à luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja Católica.


1. O significado de Una Caro: “Uma só carne”

A expressão latina Una Caro, que significa “uma só carne”, possui origem direta na Sagrada Escritura e está no centro da compreensão cristã do matrimônio.

“Por isso, o homem deixará pai e mãe, se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.” (Gn 2,24)

Jesus Cristo reafirma esta verdade primordial no Evangelho, elevando-a à sua plenitude:

“Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe.” (Mt 19,6)

“Uma só carne” não significa apenas união corporal, mas uma comunhão total de vida, que envolve:

  • união física e espiritual;
  • comunhão afetiva e emocional;
  • projeto comum de vida;
  • abertura à fecundidade;
  • fidelidade e exclusividade.

Trata-se de uma realidade ontológica e espiritual, na qual os esposos passam a formar uma nova unidade querida por Deus.


2. O matrimônio como instituição divina

A Igreja ensina que o matrimônio não é uma invenção humana, nem um simples contrato social, mas uma instituição querida pelo próprio Deus desde a criação.

O Catecismo da Igreja Católica afirma:

“A íntima comunidade da vida e do amor conjugal foi fundada pelo Criador e dotada de leis próprias.” (CIC, 1603)

Por isso, o matrimônio possui características essenciais que não podem ser relativizadas:

  • Unidade (um homem e uma mulher);
  • Indissolubilidade;
  • Fidelidade;
  • Abertura à vida.

A doutrina da Una Caro reafirma que essas propriedades não são imposições culturais, mas expressões da própria verdade do amor humano.


3. Elogio à monogamia: fidelidade como dom total

A monogamia é apresentada pela Igreja não apenas como uma norma moral, mas como a única forma de amor conjugal que respeita plenamente a dignidade da pessoa humana.

Somente na monogamia é possível:

  • a doação total de si ao outro;
  • a exclusividade do amor;
  • a segurança afetiva e espiritual;
  • a estabilidade da família;
  • a educação integral dos filhos.

A poligamia, o adultério ou as relações paralelas ferem gravemente o significado do amor conjugal, pois fragmentam o dom de si e transformam a pessoa em objeto.

O Catecismo ensina com clareza:

“O amor conjugal exige dos esposos, por sua própria natureza, uma fidelidade inviolável.” (CIC, 1646)

A fidelidade não é prisão, mas proteção do amor. Ela torna o amor seguro, profundo e verdadeiramente humano.


4. A pertença recíproca: dom, não posse

Quando a Igreja fala de pertença recíproca, não se refere a domínio ou submissão, mas à lógica do dom total e livre.

São Paulo ensina:

“A esposa não tem poder sobre o seu corpo, mas o marido; e igualmente o marido não tem poder sobre o seu corpo, mas a esposa.” (1Cor 7,4)

Essa pertença é:

  • livremente assumida;
  • recíproca e igual;
  • fundada no amor;
  • aberta à vida.

Não há dominação, mas comunhão. Cada cônjuge existe para o outro, à imagem do amor trinitário, onde o ser é dom.


5. O matrimônio como sacramento: sinal do amor de Cristo

No matrimônio cristão, a união dos esposos torna-se sacramento, ou seja, sinal eficaz da graça de Deus.

São Paulo compara o matrimônio ao amor de Cristo pela Igreja:

“Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.” (Ef 5,25)

Cristo ama:

  • uma só Igreja;
  • de modo fiel;
  • até o fim;
  • sem jamais abandoná-la.

Assim, o matrimônio cristão é chamado a refletir esse amor:

exclusivo, fiel, total e definitivo.


6. Atualidade da doutrina da Una Caro

Em um mundo marcado pelo relativismo, pela banalização da sexualidade e pela fragilidade dos vínculos, a doutrina da Una Caro é um verdadeiro sinal profético.

A Igreja não defende a monogamia por moralismo, mas porque ela corresponde:

  • à verdade do amor humano;
  • à dignidade da pessoa;
  • ao desígnio de Deus;
  • ao bem da família e da sociedade.

Onde há fidelidade, há confiança. Onde há exclusividade, há segurança. Onde há dom total, há verdadeiro amor.


Conclusão

A doutrina da Una Caro reafirma que o matrimônio:

  • é querido por Deus;
  • une os esposos em uma só carne;
  • exige fidelidade e exclusividade;
  • é caminho de santificação;
  • reflete o amor fiel de Cristo pela Igreja.

Defender a monogamia é defender o amor verdadeiro. Defender o matrimônio é defender a dignidade humana. Defender a Una Caro é defender o plano de Deus para a humanidade.

“O que Deus uniu, o homem não separe.”

Acessos