Nota doutrinal sobre o matrimônio como união exclusiva e pertença recíproca, à luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja Católica.
1. O significado de Una Caro: “Uma só carne”
A expressão latina Una Caro, que significa “uma só carne”, possui origem direta na Sagrada Escritura e está no centro da compreensão cristã do matrimônio.
“Por isso, o homem deixará pai e mãe, se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne.” (Gn 2,24)
Jesus Cristo reafirma esta verdade primordial no Evangelho, elevando-a à sua plenitude:
“Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe.” (Mt 19,6)
“Uma só carne” não significa apenas união corporal, mas uma comunhão total de vida, que envolve:
- união física e espiritual;
- comunhão afetiva e emocional;
- projeto comum de vida;
- abertura à fecundidade;
- fidelidade e exclusividade.
Trata-se de uma realidade ontológica e espiritual, na qual os esposos passam a formar uma nova unidade querida por Deus.
2. O matrimônio como instituição divina
A Igreja ensina que o matrimônio não é uma invenção humana, nem um simples contrato social, mas uma instituição querida pelo próprio Deus desde a criação.
O Catecismo da Igreja Católica afirma:
“A íntima comunidade da vida e do amor conjugal foi fundada pelo Criador e dotada de leis próprias.” (CIC, 1603)
Por isso, o matrimônio possui características essenciais que não podem ser relativizadas:
- Unidade (um homem e uma mulher);
- Indissolubilidade;
- Fidelidade;
- Abertura à vida.
A doutrina da Una Caro reafirma que essas propriedades não são imposições culturais, mas expressões da própria verdade do amor humano.
3. Elogio à monogamia: fidelidade como dom total
A monogamia é apresentada pela Igreja não apenas como uma norma moral, mas como a única forma de amor conjugal que respeita plenamente a dignidade da pessoa humana.
Somente na monogamia é possível:
- a doação total de si ao outro;
- a exclusividade do amor;
- a segurança afetiva e espiritual;
- a estabilidade da família;
- a educação integral dos filhos.
A poligamia, o adultério ou as relações paralelas ferem gravemente o significado do amor conjugal, pois fragmentam o dom de si e transformam a pessoa em objeto.
O Catecismo ensina com clareza:
“O amor conjugal exige dos esposos, por sua própria natureza, uma fidelidade inviolável.” (CIC, 1646)
A fidelidade não é prisão, mas proteção do amor. Ela torna o amor seguro, profundo e verdadeiramente humano.
4. A pertença recíproca: dom, não posse
Quando a Igreja fala de pertença recíproca, não se refere a domínio ou submissão, mas à lógica do dom total e livre.
São Paulo ensina:
“A esposa não tem poder sobre o seu corpo, mas o marido; e igualmente o marido não tem poder sobre o seu corpo, mas a esposa.” (1Cor 7,4)
Essa pertença é:
- livremente assumida;
- recíproca e igual;
- fundada no amor;
- aberta à vida.
Não há dominação, mas comunhão. Cada cônjuge existe para o outro, à imagem do amor trinitário, onde o ser é dom.
5. O matrimônio como sacramento: sinal do amor de Cristo
No matrimônio cristão, a união dos esposos torna-se sacramento, ou seja, sinal eficaz da graça de Deus.
São Paulo compara o matrimônio ao amor de Cristo pela Igreja:
“Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela.” (Ef 5,25)
Cristo ama:
- uma só Igreja;
- de modo fiel;
- até o fim;
- sem jamais abandoná-la.
Assim, o matrimônio cristão é chamado a refletir esse amor:
exclusivo, fiel, total e definitivo.
6. Atualidade da doutrina da Una Caro
Em um mundo marcado pelo relativismo, pela banalização da sexualidade e pela fragilidade dos vínculos, a doutrina da Una Caro é um verdadeiro sinal profético.
A Igreja não defende a monogamia por moralismo, mas porque ela corresponde:
- à verdade do amor humano;
- à dignidade da pessoa;
- ao desígnio de Deus;
- ao bem da família e da sociedade.
Onde há fidelidade, há confiança. Onde há exclusividade, há segurança. Onde há dom total, há verdadeiro amor.
Conclusão
A doutrina da Una Caro reafirma que o matrimônio:
- é querido por Deus;
- une os esposos em uma só carne;
- exige fidelidade e exclusividade;
- é caminho de santificação;
- reflete o amor fiel de Cristo pela Igreja.
Defender a monogamia é defender o amor verdadeiro. Defender o matrimônio é defender a dignidade humana. Defender a Una Caro é defender o plano de Deus para a humanidade.
“O que Deus uniu, o homem não separe.”