📝 Dados básicos
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Título: Mater Populi Fidelis — Nota doutrinal sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação.
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Instituição: Dicastério para a Doutrina da Fé.
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Data de aprovação: 7 de outubro de 2025.
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Data de publicação: 4 de novembro de 2025.
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Objetivo: Esclarecer, à luz da Escritura, da Tradição e do Magistério, em que sentido são aceitáveis — ou não — certos títulos marianos que se referem à cooperação de Maria na salvação.
🔍 Conteúdo essencial da nota
1. A cooperação de Maria na obra da salvação
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O documento parte da pergunta teológica: Qual é o significado da singular cooperação de Maria no plano da salvação?
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Afirma que Cristo é o único Mediador e Redentor, e que toda cooperação de Maria — e dos fiéis — deriva e depende desta mediação única.
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Salienta também que Maria é mãe dos fiéis, mãe da graça, mãe do povo fiel — e que seu papel maternal e cooperador deve ser entendido corretamente, sem obscurecer a centralidade de Cristo.
2. Títulos marianos específicos tratados
O documento analisa diversos títulos marianos, entre os quais destacam-se:
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Corredentora (ou Co-Redentrix) — o texto conclui que o uso deste título é sempre inoportuno para definir a cooperação de Maria porque “corre o risco de obscurecer a mediação salvífica única de Cristo”.
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Medianeira (de todas as graças) — o documento chama atenção para os perigos de interpretação errada: a mediação de Maria deve ser entendida de modo subordinado e dependente da única mediação de Cristo.
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Mãe dos fiéis / Mãe do povo fiel — e outros títulos que ressaltam a maternidade de Maria em relação à Igreja e aos cristãos. O documento encoraja o uso desses títulos quando bem entendidos.
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Mãe da graça — título que realça a cooperação de Maria no sentido de apresentar aos fiéis a graça de Cristo, sem ser fonte da graça.
3. Finalidade e tom
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A nota não pretende diminuir a devoção mariana, mas acompanhar, valorizar e orientar a expressão desta devoção de modo fiel à doutrina da Igreja.
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Enfatiza que expressões mal compreendidas ou desvinculadas do contexto podem gerar confusão cristológica, eclesiológica e antropológica.
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A maternidade de Maria é apresentada como «tesouro da Igreja», mas sempre com atenção para a sua relação com Cristo e com a Igreja.
✅ Principais consequências práticas
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O título Corredentora é desencorajado para uso litúrgico ou docente, por não corresponder com clareza à Escritura e à tradição.
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A expressão Medianeira de todas as graças não é suprimida, mas exige uso cuidadoso, enfatizando que Maria intercede e coopera, mas que Cristo permanece única fonte da graça.
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Os fiéis são convidados a promover uma devoção mariana que seja correta: que reconheça Maria como Mãe, intercessora, modelo de fé, mas sempre subordinada a Cristo e à mediação salvífica exclusivamente Dele.
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A reflexão teológica e a catequese mariana nos locais de culto e educação devem aprofundar o fundamento bíblico e patrístico desses títulos, evitando linguagem equívoca ou que leve a mal-entendidos.