A Parábola do Rico e Lázaro (Lc 16,19-31) é uma das passagens mais fortes do Evangelho de São Lucas. Nela, Jesus nos apresenta a realidade do destino eterno das almas após a morte e nos ensina sobre o valor da caridade, da justiça e da conversão. Mais do que uma simples história moral, trata-se de uma revelação profunda sobre o juízo particular e a impossibilidade de segunda chance após esta vida.
“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo e se banqueteava todos os dias. E havia também um pobre, chamado Lázaro, coberto de feridas, que jazia à porta daquele.” (Lc 16,19-20)
1. O Significado da Parábola
A parábola descreve o contraste entre dois destinos eternos: o do rico egoísta, que viveu em luxo sem compaixão, e o do pobre Lázaro, que sofreu em vida, mas foi consolado no “seio de Abraão”. Jesus mostra que, após a morte, cada um recebe a recompensa ou a condenação conforme suas obras.
A cena evidencia que a vida terrena é o tempo da conversão. Depois da morte, já não há oportunidade de arrependimento. O abismo mencionado por Abraão — “um grande abismo foi estabelecido entre nós e vós” (Lc 16,26) — simboliza a separação definitiva entre o céu e o inferno. Não há comunicação nem passagem entre os dois estados.
O Catecismo da Igreja Católica (CIC 1021-1022) ensina que, no momento da morte, cada pessoa recebe o juízo particular e o destino eterno da alma é selado: céu, purgatório ou inferno. Não há reencarnação, mas ressurreição no fim dos tempos.
2. Refutando a Interpretação Espírita
Alguns grupos espíritas tentam usar esta parábola como argumento para a reencarnação ou para a comunicação entre vivos e mortos. No entanto, essa leitura é totalmente contrária à fé cristã e ao verdadeiro sentido do texto bíblico.
- Não há reencarnação: Jesus mostra destinos definitivos logo após a morte. O pobre Lázaro é levado ao seio de Abraão; o rico é condenado. Não há retorno à Terra nem nova oportunidade. O Catecismo (CIC 1013) afirma: “A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina. Não há reencarnação depois da morte.”
- Não há mediunidade: o diálogo entre o rico e Abraão é parte da parábola, uma linguagem simbólica usada por Jesus, e não um relato mediúnico. A Igreja ensina que toda tentativa de invocar os mortos ou espíritos é pecado grave contra o primeiro mandamento (CIC 2116).
- A parábola exalta a Revelação, não o contato com mortos: Jesus termina dizendo: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (Lc 16,29). Ou seja, a salvação vem pela escuta da Palavra de Deus, não por comunicações espirituais.
3. A Doutrina Católica sobre a Vida após a Morte
A Igreja ensina que o ser humano vive uma única vida, na qual deve decidir por Deus ou contra Ele. Após a morte, vem o juízo particular (Hb 9,27). Os que morrem na graça de Deus vão para o céu ou para o purgatório; os que rejeitam a graça e vivem no pecado mortal vão ao inferno.
Assim, a parábola confirma o ensinamento de Cristo sobre a vida eterna e a justiça divina, e não o mito da reencarnação. A eternidade é selada após a morte, e a verdadeira caridade é o caminho que conduz à glória.
“Não acreditariam nem que alguém ressuscitasse dos mortos.” (Lc 16,31)
4. A Grande Mensagem Espiritual
A parábola do Rico e Lázaro é, antes de tudo, um apelo à conversão e à compaixão. Ela nos lembra que a verdadeira riqueza está em amar e socorrer o próximo. O rico foi condenado não por ser rico, mas por ser indiferente. O pobre foi acolhido não por sua pobreza material, mas por sua confiança em Deus.
Essa parábola também nos chama a valorizar o presente momento da vida como oportunidade de amar e servir, pois, após a morte, não há arrependimento possível.
🕊️ Conclusão
A parábola do Rico e Lázaro reafirma a fé católica na vida eterna e na ressurreição dos mortos. Longe de apoiar doutrinas espíritas, ela demonstra que o destino da alma é definitivo após a morte e que a Palavra de Deus é suficiente para conduzir o homem à salvação.
Como professamos no Credo: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.”